Posted 7 months ago

CATAPLEUSTICO: Tudo é dentro e fora.

catapleustico:

Certo dia, caminhando pelo jardim de flores brancas, o rapazinho se encantou com a beleza do canto de um passarinho, então lhe perguntou:
— Senhor passarinho, de onde vem a beleza do teu canto?
De dentro — cantou o passarinho alegremente.
Como assim de dentro?
— Ora, de dentro de ti!…

Posted 7 months ago

Uma atuação digna de ser lembrada, uma mensagem de Amor e de Paz!

Emmanuel Kelly no X-factor

Posted 7 months ago

Vida Maria - 3º Prêmio Ceará de Cinema e Vídeo

Posted 7 months ago
Posted 7 months ago

Toda forma que vês

tem seu arquétipo no mundo sem-lugar.

Se a forma esvanece, não importa,

permanece o original.

As belas figuras que viste,

as sábias palavras que escutaste,

não te entristeças se pereceram.

Enquanto a fonte é abundante,

o rio dá água sem cessar.

Por que te lamentas se nenhum dos

dois se detém?

A alma é a fonte,

e as coisas criadas, os rios.

Enquanto a fonte jorra, correm os rios.

Tira da cabeça todo o pesar

e sorve aos borbotões a água deste rio.

Que a água não seca, ela não tem fim.

Desde que chegaste ao mundo do ser,

uma escada foi posta diante de ti,

para que escapasses.

Primeiro, foste mineral;

depois, te tornaste planta,

e mais tarde, animal.

Como pode ser isto segredo para ti?

Finalmente foste feito homem,

com conhecimento, razão e fé.

Contempla teu corpo; um punhado de pó

vê quão perfeito se tornou!

Quando tiveres cumprido tua jornada,

decerto hás de regressar como anjo;

depois disso, terás terminado de vez com a terra,

e tua estação há de ser o céu.

Passa de novo pela vida angelical,

entra naquele oceano,

e que tua gota se torne o mar,

cem vezes maior que o Mar de Oman.

Abandona este filho que chamas corpo

e diz sempre Um; com toda a alma.

Se teu corpo envelhece, que importa?

Ainda é fresca tua alma.

Jalal ud-Din Rumi

Poeta e místico sufi do século XIII

(Poemas Místicos, Ed. Attar, 1996)

Poema Sufi - A evolução da forma

Jalad ud-Din Rumi

Posted 7 months ago
Ache o gatinho!

Ache o gatinho!

Posted 7 months ago

A Linguagem dos Pássaros, Farid ud-Din Attar

A Linguagem dos Pássaros

Um grupo de pássaros desejava encontrar a seu rei; então pediram à poupa sábia (um pássaro com crista em forma de abano) que lhes ajudasse em sua busca. A poupa lhes disse que o rei que estão procurando se chama Simurgh (que significa em persa “Trinta Pássaros”) e que vive escondido na montanha de Kaf, porém é uma viajem muito difícil e perigosa. Os pássaros imploram à poupa que os guie. A poupa aceita e começa a ensinar a cada pássaro de acordo com seu nível e temperamento. Ela lhes diz que para alcançar o alto da montanha, necessitam atravessar cinco vales e dois desertos; quando tiverem passado o segundo deserto, entrarão no palácio do rei.

Os de vontade débil, temerosos da viagem, começam a por desculpas. O louro, que é egocêntrico e egoísta, diz que no lugar de ir em busca do rei, buscará o Santo Gral. O pavão real, a ave legendária do paraíso, exclama que tem sonhado que voltará ao céu e que vai esperar pacientemente esse dia. A pata, se lamenta porque sua vida depende de estar próxima da água e morreria se si separasse dela. A garça tem uma desculpa similar; não lhe é possível viajar longe do mar, porque seu amor pela água é tão grande que, embora permaneça sentado durante anos à sua margem, não tem ousado beber nem uma gota, se não o mar acabaria sem água. A coruja declara que prefere ficar e buscar as ruínas com a esperança de encontrar um tesouro algum dia. O rouxinol diz que não necessita viajar, porque está enamorado da rosa e este amor é suficiente para ele. Possui os segredos do amor que nem outra criatura tem; e com uma voz maravilhosa canta ao amor:

- Conheço os segredos do amor. Toda noite derramo meu canto de amor. A música mística da flauta se inspira em meu lamento, e sou eu quem faz desabrochar a rosa e comover os corações dos namorados. Ensino mistérios com minhas tristes notas, e quem me ouve se perde em êxtase. Ninguém conhece os meus segredos, unicamente a rosa. Tenho me esquecido de mim mesmo e só penso na rosa. Alcançar a Simurgh está acima de mim! O amor da rosa é suficiente para o rouxinol!

A poupa que escutou pacientemente responde ao rouxinol:

- Tu estás preocupado com a forma exterior das coisas, pelos prazeres de uma forma sedutora. O amor da rosa tem lançado espinhos a teu coração. Não importa quão grande seja a beleza da rosa, se desvanecerá em poucos dias; e o amor a algo tão passageiro só pode causar repulsa ao perfeito. Se a rosa te sorri é só para enxerte de dor, porque ela rir-se de ti a cada primavera. Abandona a rosa e seu quente calor.

“O que quer dizer Attar com esta simples conversação? Nós humanos temos o desejo de buscar a perfeição, mas muitas vezes tendemos a parar o processo tão logo detectamos o mais ligeiro sinal de progresso. Isto é especialmente certo nos aspirantes ao caminho espiritual: muitos buscadores estão encantados com as primeiras etapas do despertar e o confundem com a completa iluminação. Attar nos adverte de tais perigos: não devemos confundir o amor do imaginário com o amor do Real. Por esta razão, o rouxinol tem que abandonar seu enganoso apego pela rosa para buscar ao eterno Amado.”

A poupa deleita os pássaros com maravilhosas histórias daqueles que têm feito a perigosa viagem.

Depois de ter ouvido as histórias da poupa, os pássaros estão inspirados para começar sua viajem até o primeiro vale.

Entretanto, logo começam a ter problemas, e se dão conta de que o caminho vai ser mais difícil do que haviam imaginado. Alguns voltam a por desculpas. Um afirma que a poupa não é suficientemente sábia para conduzi-los. Outro se queixa que satanás lhe tem possuído e lhe está pondo as coisas difíceis. E outro expressa seu desejo de ter dinheiro e a comodidade de uma vida de luxo.

Finalmente, a poupa decide que a única forma para que os pássaros compreendam, é descrever-lhes os sete vales e desertos da viajem. O primeiro é o Vale da Busca. Aqui se busca a Verdade com inquietude, diz a poupa. Com constância, se busca um significado maior ao propósito da vida. Só um buscador com dedicação pode atravessar a salvo o primeiro vale e ir ao segundo, o Vale do Amor. Aqui se sente um desejo ilimitado de ver ao Rei Amado. Um fogo abrasador começa a crescer no coração e se faz devastador. O lugar é mais perigoso que o primeiro vale, porque há obstáculos no caminho para por a prova o amor. Entretanto esse mesmo amor impulsiona ao buscador sair do vale e ir até uma terra mais alta: o terceiro vale, o Vale do Conhecimento. Uma vez que se entra nesta terra, o coração se ilumina com a verdade. Se adquire aqui o conhecimento interior do Amado. Deste lugar o viajante continua a viajem ao Vale do Desapego, onde perde seus desejos de possessões mundanas. Não existe ataduras com o mundo material para o viajante que atravessa esse vale; liberado dos desejos agora o aspirante é completamente independente.

Cada novo lugar que o buscador encontra é mais perigoso que o anterior e deve ser explorado passo à passo, porque cada um contém suas próprias provas e dificuldades. Assim, cada encontro com uma terra diferente é uma experiência nova.

O quinto vale é o Vale da Unidade. O viajante experimenta nele que todos os seres são unos em essência, que toda variedade de idéias, experiências e criaturas da vida tem realmente uma só fonte.

O viajante chega ao Deserto do Medo. Então se esquece da existência de si mesmo e de todos os demais. Vê a luz, não com os olhos da mente, sim com os olhos do coração. A porta do divino tesouro, o segredo dos segredos, se abre. Nesta terra, o intelecto já não funciona. Aqui se pergunta ao viajante quem é e o que és, responde: “Não sei nada.”

Finalmente chega ao Deserto do Aniquilamento e da Morte. Neste ponto, o aspirante entende finalmente como uma gota se funde no oceano da unidade com o Amado. Tem encontrado o destino da viajem para encontrar ao rei.

Depois de ouvir a descrição da poupa sobre o que lhes espera, os pássaros se animam tanto que imediatamente continuam sua viajem.

No caminho alguns morrem pelo calor e se jogam no mar. Outros se cansam e não podem continuar; um grupo é caçado por animais selvagens e outros mais se distraem tanto pelo atrativo das terras que atravessam, que se perdem e ficam para trás. Só trinta alcançam seu destino: a montanha de Kaf.

No palácio real, o guarda da entrada trata cruelmente os trinta pássaros. Mas os pássaros, que têm passado o pior, são tolerantes e não se permitem sentir-se molestados por sua dureza. Finalmente, o servidor pessoal do rei sai e conduz os pássaros ao salão real. Ao entrar, os pássaros olham tudo assustados. Não sabem o que ocorre, porque no lugar de ver a Simurgh, “Trinta Pássaros”, tudo o que vêm é… Trinta Pássaros.

Finalmente compreendem que, olhando-se a si mesmos, têm encontrado ao rei, e que em sua busca do rei, têm encontrado a si mesmos.

Os que atravessam as sete cidades do amor se purificam. Quando chegam ao palácio real, encontram ao rei que se revela a seus corações.

“Fariduddin Attar”

Posted 9 months ago
A visão da pedra em rubi foi a última que necessitou, simbolicamente, do mundo exterior. A partir do instante em que capturou, no interior do ovo filosófico, um raio reflexo da luz solar (a lux obnubilata que nos descreve um anônimo do século XVII), libertou-se das trevas aparentes e com isso prescindiu da visão comum. Na linguagem místico-alquímica de Boehme, o dom de Deus que encontrou foi justamente ver o mundo com os olhos de Deus.” MUTUS LIBER
Posted 9 months ago
Na mente ordinária, percebemos a corrente dos pensamentos como uma sucessão contínua e ininterrupta, mas na realidade não é assim. Você mesmo descobrirá que há um intervalo entre pensamento e pensamento. Quando o pensamento passado já passou e o futuro ainda não surgiu, sempre haverá um espaço no qual se revela “Rigpa”, a natureza da mente. Assim, pois, o objetivo da meditação é permitir que os pensamentos se tornem mais lentos (ou, também, poderíamos dizer: mais espaçados ou menos freqüentes), para que esse espaço vazio se torne cada vez mais evidente. Os pensamentos são como o vento: vão e vêm. O segredo está em não pensar sobre os pensamentos, mas sim permitir que circulem pela mente sem se deixar arrastar por eles. Deve-se ser como o oceano, que contempla suas próprias ondas, ou como o céu, que olha do alto as nuvens que o cruzam.

O Livro Tibetano do Viver e do Morrer

Sogyal Rimpoché
Posted 9 months ago

Mente – designa todo o âmbito da experiência subjetiva, tanto consciente como inconsciente. Nossos corpos e órgãos sensoriais são parte desse mundo: objetos físicos com massa que existem em pontos definidos do espaço e do tempo. No entanto, nossas percepções , pensamentos, sentimentos, intuições pertencem ao mundo da Mente.

Despertar é se dar conta de que o mundo da Mente é igualmente real e que cada um de nós existe em ambas as realidades, dentro e fora do tempo.

São dois mundos completamente separados… Há um ser que olha, por meio dos sentidos, o mundo material: um ser que conhece o tempo, que se percebe como um indivíduo singular, encarnado em um corpo. E o ser que está fora do espaço e do tempo, que é consciência pura e que está atrás de toda experiência, está em nenhum tempo e em nenhum lugar.

Peter Russel - O Buraco Branco no Tempo